A galeria apresenta a primeira exposição de Guglielmo Castelli no Brasil. Pintor de Turim, Castelli aprimorou seu ofício durante sua formação acadêmica em cenografia – disciplina que moldou sua prática pictórica, especialmente na forma como representa espaços e interiores arquitetônicos. Embora sua estética esteja enraizada nesse contexto, uma crítica à cultura burguesa marca seu horizonte intelectual. A superfície pictórica não é expressão de mera virtuosidade técnica, mas um campo de batalha no qual Castelli compreende a cultura ao seu redor: o peso do legado, a relação entre a alta cultura e o conservadorismo em contraposição ao popular, e a possibilidade de uma ruptura total.A exposição toma seu título de um verso do poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto: Um galo sozinho não tece uma manhã. O verso aparece em A educação pela pedra, coletânea publicada em 1966, quando o Brasil era governado por uma ditadura militar que reprimia artistas e intelectuais com violência crescente nos anos subsequentes. A metáfora do galo, que só consegue anunciar a claridade da manhã se acompanhado de vários outros, mostra-se perene – um tributo à coletividade e à colaboração, que ressoa também com um princípio da abstração geométrica brasileira: o todo é mais do que a soma das partes.