Compostas em 1936, as peças deste programa são parte importante da história do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, inaugurando a vasta lista de obras escritas especialmente para o grupo e apontando para o que se consagraria como sua principal missão: fomentar e divulgar a produção brasileira para essa formação. Em 1935, Mário de Andrade assumiu a direção do então recém-criado Departamento de Cultura de São Paulo, fundando no mesmo ano o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Em 1936, ele promoveu um concurso para selecionar novas obras a serem tocadas pelo grupo, indicando que deveriam “se inspirar nos caráteres, tendências e processos rítmico-melódicos da música nacional brasileira… sem que sejam utilizados temas colhidos diretamente de folclore musical brasileiro”. Pelas regras do edital, as partituras seriam de propriedade do Departamento de Cultura, permanecendo preservados os direitos dos autores. Um júri formado pelo próprio Mário de Andrade, pelos membros do Quarteto de então e pelo compositor e pianista João de Souza Lima (que, à época, também era um músico associado ao grupo, possibilitando variar as formações camerísticas) escolheu três peças vencedoras, que foram estreadas pelo Quarteto em 1937. Muitos anos depois, essas partituras foram localizadas pela arquivista do Theatro Municipal, cada uma em uma das musicotecas (bibliotecas de registros musicais, sejam sonoros ou em partituras) criadas por Mário de Andrade: a Discoteca Oneyda Alvarenga (atualmente localizada no Centro Cultural São Paulo), o arquivo do Quarteto da Cidade e a Musicoteca do Theatro Municipal de São Paulo.