A Cobradora é uma personagem que se multiplica, representando desde figuras arquetípicas do universo feminino (como Eva ou Lilith), figuras representativas do cotidiano urbano (neste caso, construídas através de histórias orais de cobradoras de ônibus) a uma mulher-bomba, em ato terrorista, que cobra o seu espaço numa sociedade patriarcal. Essa personagem cobra de si e do mundo os múltiplos desejos-sonhos que lhe foram fecundados (e roubados) e dá à luz muitas mulheres: contemporâneas e míticas. Quais os espaços que a mulher pode ocupar? Quais os espaços que a Zózima Trupe pode com seu ônibus transformar? O espetáculo, que desta vez não acontece dentro de um ônibus urbano, vem também reivindicar novos espaços, através de um profundo e corajoso deslocamento tanto da figura feminina como da própria pesquisa da Trupe.